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Um olhar Punk para tempos atuais

Não reinvente a roda.
A tecnologia repetiu essa frase tantas vezes que ela virou quase um mandamento.
E isso não é uma religião.

Essa frase aparece em fóruns, comentários, discussões, comunidades
E quase sempre para o mesmo efeito: Desencorajar alguém.

Como se criar algo próprio fosse arrogância.
Como se adaptar ferramentas fosse perda de tempo.

Como se toda solução válida já tivesse sido construída por uma grande empresa, empacotada por terceiros e publicada em algum repositório.

Só que existe um pequeno detalhe nisso tudo:
O problema da solução pronta é que quase todas tentam servir para tudo, e o custo disso geralmente é alto.

Então por que não adaptar ou reiventar pra certas necessidades, sendo que:
Tudo que usamos hoje só existe porque alguém teve a coragem e ousadia de reinventar a roda.
Pois nada nasce do vazio.
Nem linguagens
Nem frameworks
Nem sistemas
Nem mesmo inteligência artificial
...

Tudo o que usamos hoje surgiu porque alguém resolveu questionar uma limitação ou necessidade específica.
Ou simplesmente se recusou a aceitar o:
é assim que funciona.

Divisor roda Punk Rock

A roda evoluiu: pedra madeira metal borracha pneus pneus sem ar E continua evoluindo.
Porque reinventar não significa destruir tudo e começar do zero.
Nada nunca substituirá a roda.

Reinventar quase sempre é: adaptar simplificar recuperar controle ou parar de depender de algo que deixou de fazer sentido.

O problema nunca foi reinventar.
O problema é fazer isso sem propósito.

O desenvolvimento passou anos ensinando pessoas a consumir ferramentas quase automaticamente. Frameworks Bibliotecas Stacks inteiras Addons São abstrações em cima de abstrações.

E tudo sendo usado porque virou padrão dentro da área.

E você paga com: performance dependência manutenção atualização abstração excessiva complexidade custo estrutural E por fim a perda gradual de controle sobre o próprio sistema.

Mas nem toda solução precisa ser universal para ser útil.
Às vezes o desenvolvedor só precisava resolver um problema específico, mas recebeu uma estrutura gigante em troca.

E um dos piores efeitos disso tudo é que muitos começam a confundir consumo de ferramenta com domínio técnico.

Como se conhecer uma stack específica significasse compreender toda a estrutura que existe por trás dela.
E tá tudo bem não saber tudo.
Autonomia técnica não significa fazer tudo sozinho.
Nem dá.
Ninguém sabe.

Domínio técnico não é decorar linguagem, framework ou qualquer tipo de ferramenta.
É entender o suficiente para analisar e resolver problemas, prever consequências, adaptar soluções, aprender, reaprender e manter funcionando mesmo quando a tecnologia muda.
O importante não é dominar, e sim compreender os fundamentos, manter a humildade e estar preparado para: eu nunca fiz isso antes… mas vamos descobrir.

Divisor roda Punk Rock

Comunidade não é repetir frase pronta para desencorajar quem está tentando construir algo.

Comunidade é compartilhar, ensinar, aprender junto e principalmente saber se calar quando tudo o que se tem a dizer é apenas: não reinvente a roda.

Porque no fim das contas, quase toda tecnologia atual continua apoiada sobre estruturas muito mais antigas do que ela.

O desenvolvedor usa um framework cheio de abstrações e esquece ou nem sabe que o interpretador do PHP foi escrito em C.

Python, também.

Boa parte da infraestrutura que sustenta a web ainda conversa com tecnologias muito mais antigas do que a maioria imagina.

COBOL, lançado em 1960, continua presente em bancos, governos e sistemas financeiros utilizados diariamente por milhões de pessoas que provavelmente nem sabem que dependem dele.

Até os ORMs mais modernos continuam produzindo SQL no final da cadeia.

A diferença é que, em muitos casos, o desenvolvedor deixa de enxergar a estrutura real que sustenta aquilo.

Nada... Nem software. Nem linguagem. Nem ideia. Nem cultura. O espírito Punk nunca foi apenas rebeldia estética.
  • Era autonomia.
  • Era faça você mesmo.
  • Era aprender fazendo.
  • Era criar sem pedir licença.
  • Era adaptar antes de consumir automaticamente.
  • Era produzir em vez de apenas consumir.
  • Era questionar estruturas impostas como definitivas.
  • Era não aceitar passivamente tudo o que a indústria empurra como regra absoluta.
E mesmo por trás da estética agressiva, também existia:
  • comunidade;
  • humildade;
  • troca;
e respeito entre quem realmente construía algo.

Porque o Punk nunca foi sobre eu sou melhor.
Era sobre autenticidade.

O mundo já tem dogmas demais.
Tanto que pensar por conta própria acabou tornado uma das coisas mais raras da tecnologia.

Pra ser Punk hoje talvez esteja faltando ter coragem: de questionar, de construir, de adaptar, de desafiar o óbvio e rasgar o script.

Então tenha a ousadia. Faça você mesmo.